Como está o seu amor????

Amigas,
Nós aqui de casa sempre achamos que o Matheus era pequeno para a idade, mas quando íamos na pediatra, ela era categórica.
-Olha aqui mãe a curva, ele está super bem...
Mas como coração de mãe é algo impressionante, tive sempre a pulga atrás da orelha.
Após o transplante resolvi que ia levá-lo a um especialista, uma endócrino pediatrica. Descobri que uma das melhores do Brasil é filha de uma senhora que fazia hemo comigo, pedi que a mãe dela marcasse pra mim, pois é difícil demais de conseguir uma consulta e olha que o preço é alto heim, 500 reais. Marcamos e fomos lá, ela de cara falou que o tamanho do Matheus não estava certo, pediu uns exames de curva, e eles confirmaram que o Matheus estava muito deficiente do hormônio do crescimento. Ela falou que o Estado ia bancar as medicações mas que o Matheus ia precisar tomar uma injeção por dia até os 18 anos. Fiquei triste, mas se existia a injeção, se o Estado ia pagar e que o Matheus ia ficar bem, pra mim era o que importava. Tem problema? Então bora resolver...
Essa é a minha filosofia!

Má e sua turma...
Só que para o Estado pagar, ele precisa de um monte de exame, incluindo uma ressonância magnética da cabeça. Fomos fazer o exame tão despreparados, o exame é um cú, eles pegam a veia da criança e colocam ele na máquina, num frio horrível e um barulho ensurdecedor e de 15 em 15 minutos injetam um contraste no braço da criança. O Matheus chorava quietinho, sem reclamar, eu só ouvia o choro dele, e eu de short, chinela havaiana, morrendo de frio. A enfermeira entrava e falava assim:
- Mãe, sai um pouco da sala, aqui é muito frio.
Só se eu fosse doida, eu ia sair da sala e deixar o meu filho chorando sozinho naquele barulho todo. Sei que o exame durou mais ou menos 1 hora!
Quando saíram todos os resultados, fui com o Matheus e a Yasmim, depois da aula, levar os resultados na médica, novamente despreparada pro que eu iria ouvir. Ela entrou com os exames e passado uns 15 minutos volta a secretária:
- Márcia, entra um pouquinho, mas deixa os meninos aqui comigo.
Entrei com as pernas bambas, e a médica estava mais bamba que eu.
- Márcia, olha só, deu um coisinha chata no exame do Matheus.
Essa mulher não sabia como me falar que na ressonância do Matheus tinha dado um leve "tumor", me mostrava esse exame de todos os lados e eu mais abobada que tudo. Não consegui chorar e nem falar nada. Entrei muda e saí calada.
O pior dia da minha vida, tenho certeza!
- Mas Márcia, eu sei de tudo o que vc passou, sei de sua força. Calma, antes de vc entrar marquei com dois médicos neurologistas, e amanhã vou levá-los para almoçar, só para eles poderem olhar os exames do Matheus, tenha tranquilidade, que lá pelas 2 horas da tarde eu te ligo.
Nossa gente, eu não sei como saí da sala e olhei para o Matheus. Fui para casa e me pai estava saindo da garagem. Pelo retrovisor, ele conseguiu ver o meu desespero, voltou!!!
Só quando entrei no meu quarto é que consegui chorar. Passei a noite olhando o Matheus. Não fiquei com raiva de Deus, apenas falava assim pra ele:
- Cacete, eu aceito mas onde vc vai me arrumar forças pra cuidar do meu filho? Estou exaurida e preciso muito de ajuda.
No outro dia, a médica não me ligava, foi me ligar as 5 da tarde, tudo passou na minha cabeça. Disse que os dois médicos entenderam que aquela bolinha na cabeça do Matheus era a ausência do hormônio e então o cérebro entende que tem que produzir alguma coisa e essa bolinha vai crescendo, mas é oca. Quando ele começar o tratamento, a bolinha vai sumir.
Chorei, chorei pra xuxu, agradeci e chorei de novo. Sei que passei dois dias chorando...Sabe gente, eu fiquei mais de 1 semana em choque.
Meninas, o que senti não é nem perto os dois anos de hemo que tive, é um sentimento de impotência sem noção. Tudo o que estava ao meu redor virou pó, e novamente descobri que o importante é o amor.
Quis contar isso pra vcs, pra que vcs saibam valorizar os seus, amem as pessoas que estão ao seu redor. Ame a pessoa que faz a sua comida, ame seus pais, ame seus irmãos, colegas de trabalho, amigos. Fale, expresse, perdoe e se perdoe!!
Renasci duas vezes esse ano:
1) Quando transplantei;
2) Quando recebi o telefonema da médica dizendo que estava tudo bem com o meu menino...

Beijos com muito amor pra vcs,
Valentina